quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Sociedade da Informação e Educação (Vladimir de Paula Brito)

Introdução

A dinâmica da dita sociedade global baseia-se na concentração de rendas e oportunidades, e, caso construam instrumentos para modificar a dinâmica atual, a exclusão, infelizmente, só tende a aumentar.
A Escola constitui-se como um ambiente natural para propiciar às coletividades instrumentos de inserção social, em uma sociedade cada vez mais repleta de condicionantes e exigências para quem deseja adentra-la. Além disso, quando o acesso à informação deixa de ser “supérfluo” para as necessidades da economia de mercado, ter acesso à informação significa a diferença entre a miséria e a prosperidade.
Mas não cabe à Escola responder às demandas de qualificação de uma sociedade excludente, como se um mar de oportunidades fosse surgir caso a sociedade fosse extremamente qualificada. Cabe à Escola um papel mais profundo, cabe-lhe questionar as regras do jogo. Formar um cidadão é formar a capacidade de questionamento, de auto-aprendizado, de julgamento.
A Escola se configura como um importante instrumento de inclusão social, no sentido da formação e instrumentalização para uma sociedade que exige o desenvolvimento de capacidades para um mercado de trabalho “informacional”, mas, sobretudo, como fomentadora de contradição e espaço de formação da criticidade , tão fundamentais às transformações sociais.

Economia: do colonialismo ao neocolonialismo
É esse processo produtivo de constante investimento e constante necessidade de ampliação de mercados que pode explicar a conquista e mapeamento de todo o globo terrestre em relativamente pouco tempo de economia capitalista, afinal a necessidade de novos mercados é uma constante do capital.
Uma vez os mercados mundiais totalmente ocupados, o sistema capitalista gestou dois grandes mecanismos para lidar com suas crises de superprodução- a guerra e a recessão econômica- sendo o objetivo perseguido por ambos os mecanismos a destruição de forças produtivas para posterior reconstrução. Resumindo, já o tamanho do Globo é imutável e a capacidade de consumo das pessoas limitada, o capitalismo tem que aumentar a produção sempre, ou se toma o mercado alheio ou se destrói e reconstrói sua própria economia ou a de outrem.
Como a perspectiva de recessão econômica é mais ingrata ao capitalismo, pois pode perder sua empresa conforme o tamanho da crise, o instrumento mais atraente nos primórdios da economia de mercado era a utilização da guerra.
A economia capitalista encontrava-se numa encruzilhada. A guerra, como mecanismo de resolução de crises, tinha o emprego limitado pela era atômica. Um terço da economia do Globo era socialista, e o restante dos mercados já se encontrava novamente ocupado. Os mecanismos que surgiriam para lidar com essas questões seriam conhecidos como neoliberalismo e globalização econômica, tendo como ferramenta valiosa a tecnologia da informação. O objetivo: a recolonização dos países de terceiro mundo, só que desta vez menos pela via militar e mais pela via econômica.
Referente à globalização econômica e o neoliberalismo, é importante que verifiquemos um aspecto fundamental à globalização, que são as questões pertinentes ao capital financeiro, sua origem e mecanismos de funcionamento. A medida que o capital financeiro nasce associado à economia capitalista e posteriormente adquire uma dimensão tal que passa a nortear o desenvolvimento dessa economia, podemos pontuar que a questão da especulação financeira pode ser considerada como um dos principais sustentáculos da dita economia global.

Capital financeiro e especulativo
O surgimento do capital financeiro parte da seguinte lógica econômica: a produção gera lucros ao capitalista; enquanto uma parte do lucro geralmente é reivestida na produção, uma outra é realizada ou seja, o capitalista a toma para si e para seu bem estar.

Neoliberalismo, globalização e recolonização
Esses conceitos faziam parte do liberalismo e vêm do período mais selvagem do capitalismo, em que praticamente não existiam garantias ao trabalho, vivendo-se em regime de superexploração econômica. Salta aos olhos que, em economias estagnadas do primeiro mundo, o agora “neo ou novo “liberalismo” foi uma justificativa teórica para a transferências dos nichos mercadológicos administrados pelo Estado para a iniciativa privada, além da intervenção econômica nos mercados de outros países, com a desculpa da promoção do “livre comércio”. Outro aspecto relevante do neoliberalismo é que ele preconiza a total abertura das economias para o capital.
Com esse fenômeno, empresas passam também a deslocar –se constantemente pelo Globo, em busca de condições produtivas mais vantajosas, como a redução do custo de mão de obra ou da matéria- prima. No marco de uma disputa econômica cada vez mais global, cuja velocidade dos processos é enorme, a informação passa a ser um instrumento basilar na busca pelo lucro, e as ferramentas que ajudam a fazer trafegar a informação, como a internet, adquirem um novo valor econômico.

Sociedade da informação
A nova importância econômica da informação
A informação passa a ser um conceito chave no processo produtivo global. São as redes de informação que permitem o fluxo incontrolável de capitais pelo Globo. São as redes de informação que possibilitam a elaboração de projetos com especialistas dos quatros contos do mundo.
Para as empresas e para o capital, em tempos de economia global, o uso da informação é considerado como a mola mestra da competitividade, que é o motor da disputa de mercado. Aquelas empresas que não fizerem uso intensivo da tecnologia da informação, quase que certamente correm o risco de perder mercado e até de desaparecer.

Impactos Sociais: uma catástrofe anunciada
Com o aprofundamento dos processos econômicos capitalistas, materializados na globalização e na “sociedade da informação”, mais uma vez constatamos um processo de deslocamento de poder. Assim como a terra constituía fonte de poder em uma sociedade informacional. Os países, empresas ou pessoas que tiverem a capacidade de obter, produzir, armazenar e trabalhar a informação possuem mecanismos chave para a construção da hegemonia econômica em uma sociedade informacional.
Aqueles países, empresas ou pessoas que não souberem ou não adquirirem mecanismos para lidar com a informação certamente terão um papel econômico cada vez mais subalterno, arcando com as conseqüências sociais que possam advir disso.
Globalização, trabalho e educação
Ao mesmo tempo em que necessita de trabalhadores mais qualificados, o capital também necessita de construir justificativas mais palatáveis para a exclusão social. Em geral, as justificativas têm recaído principalmente sobre a Escola e a educação. Vende-se para o imaginário popular a educação técnica, como saída para os problemas de empregabilidade. Em um sistema econômico pautado pelo desemprego e subemprego, as pessoas são levadas a acreditar que elas são as principais responsáveis pelo seu próprio desemprego. É como se o modelo econômico adotado, privilegiando os países ricos em detrimento dos pobres, não fosse determinante em relação às possibilidades econômicas das pessoas e das nações. O capital institui, a partir da Escola, o darwinismo social, os melhores serão recompensados pelo mercado enquanto os piores deverão se contentar com a miséria, afinal são incompetentes.

Escola enquanto instrumento de transformação
Ao contrário de perpetuar esta lógica invertida, em que as vítimas da exclusão são postas pelo capital como as responsáveis pela sua própria exclusão, cabe à Escola ajudar a construir os questionamentos e indagações que se fazem necessários. Ao ter acesso ao livre pensamento, a história, a política, a produção cultural local e/ ou global, o indivíduo passa a ter elementos para questionar o futuro que pode esperar uma grande parte da população. Um futuro em que, nos moldes neoliberais, por mais que se venda um mundo dos sonhos informacionais, a muitos reserva o subemprego.

Possibilidades, por enquanto, possibilidades
A Escola, ao se descolar do viés tecnicista e profissionalizante, pode fazer das tecnologias digitais instrumentos que possibilitem grandes transformações nas relações de ensino e aprendizagem. Numa rede com uma infinidade de informações, como a Internet, as possibilidades de construção de conhecimento certamente são muito grandes, desde que as necessidades educacionais venham antes da indústria de informática e sua necessidade de vendas. O papel da educação em relação a sociedade da informação é pautada tanto pelas concepções vigentes de Escola para o trabalho quanto pela forma com que o computador entra na própria Escola.

Informação a serviço da Educação, e não o contrário
Dentro dessa lógica, muitas vezes a serviço das grandes empresas de informática, diga-se de passagem, distintos programas governamentais já despejaram milhares de computadores dentro das Escolas, como se a simples presença de ícones pós- modernos fossem suficientes para edificar a democratização da sociedade informacional. Infelizmente,com honrosas exceções, os computadores muito pouco contribuíram para qualquer processo de democratização e uso da informação. Constitui uma cena bastante comum, dentro de determinadas Escolas, laboratórios fechados, lotados de computadores à espera de algo, ou de alguém.
A forma com que a Sociedade da informação tem adentrado as escolas públicas até agora tem obedecido rigorosamente, mais uma vez, a uma lógica mercadológica. Que se vendam computadores, conexões à Internet e softwares proprietários. Como se vê, democratizar o acesso á informação, em que pese a pressão da indústria da informática, não significa somente comprar computadores, conexões e softwares.

Computador: a serviço de quem?
À medida que a Escola não tenha como concepção de relação com a comunidade a inclusão social e o combate ao analfabetismo, isso automaticamente irá refletir-se na forma de trabalhar a Informática e a informação. Aliás, é bastante comum Escolas geralmente particulares, construírem projetos de uso dos recursos informacionais disponíveis, mas esses pouco questionam a lógica da exclusão social. O computador entra em muitas dessas instituições escolares como mecanismo de diferenciação.
Uma Escola Pública que se coloque a serviço dos segmentos mais marginalizados da sociedade, que prime, portanto, pela construção da cidadania, que coloque a relação ensino e aprendizado a serviço de uma sociedade, e não de um mercado, certamente estará dando um primeiro passo para combater também a exclusão digital.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Prólogo: A rede e o ser

No fim do segundo milênio da Era crista, vários acontecimentos de importância histórica transformaram o cenário social da vida humana. Uma revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da informação começou a remodelar a base material da sociedade em ritmo acelerado. Economias por todo o mundo passaram a manter interdependência global, apresentando uma nova forma de relação entre a economia, o Estado e a sociedade em um sistema de geometria variável. O colapso do estatismo soviético e o subsequente fim do movimento comunista internacional enfraqueceram, por enquanto o desafio histórico do capitalismo, salvaram as esquerdas políticas da atração fatal do marxismo-leninismo, decretaram o fim da guerra fria, reduziram o risco de holocausto nuclear e, fundamentalmente alteraram a geopolítica global. O próprio capitalismo passa por um processo de profunda reestruturação caracterizado por maior flexibilidade de gerenciamento: descentralização das empresas e sua organização em redes tanto internamente quanto em suas relações com outras empresas , considerável fortalecimento do papel do capital vis a vis o trabalho, com o declínio concomitante da influencia dos movimentos de trabalhadores, individualização e diversificação cada vez maior das relações de trabalho, incorporação maciça das mulheres na forca de trabalho remunerada, geralmente em condições discriminatórias, intervenção estatal para desregular os mercados de forma seletiva e desfazer o estado de bem-estar social com diferentes intensidades e orientações, dependendo da natureza das forcas e instituições políticas de cada sociedade, aumento da concorrência econômica global em um contexto de progressiva diferenciação dos cenários geográficos e culturais para a acumulação e a gestão de capital.
Simultaneamente as atividades criminosas e organizações ao estilo da máfia de todo o mundo se tornaram globais e informacionais, propiciando os meios para o encorajamento de hiperatividade mental e desejo proibido juntamente com toda e qualquer forma de negocio ilícito procurado por nossas sociedades, de armas sofisticadas à carne humana. Alem disso um novo sistema de comunicação que fala cada vez mais uma língua universal digital tanto esta promovendo a integração global da produção e distribuição de palavras, sons e imagens de nossa cultura como personalizando-os ao gosto das identidades e humores dos indivíduos. As redes estão crescendo exponencialmente, criando novas formas de comunicação, moldando a vida e, ao mesmo tempo, sendo moldadas por ela.
As mudanças sociais são tão drásticas quanto os processos de transformações tecnológicas e econômica. Os relacionamentos entre os sexos tornaram-se na maior parte do mundo, um domínio de disputas em vez de uma esfera de reprodução cultural.A consciência ambiental permeou as instituições da sociedade, e seus valores ganharam apelo político a preço de serem refutados e manipulados na pratica diária das empresas e burocracias. Os movimentos sociais tendem a ser fragmentados, locais com objetivo único e efêmeros, encolhidos em seus mundos interiores ou brilhando por apenas um instante em um símbolo da mídia. Em um mundo de fluxos globais de riqueza, poder e imagens, a busca da identidade, coletiva ou individual, atribuída ou construída, torna-se a fonte básica de significado social. No entanto a identidade esta se tornando a principal e, as vezes única forma de significados em um período histórico caracterizado pela ampla desestruturação das organizações, desligitimacao das instituições, enfraquecimento de importantes movimentos sociais e expressões culturais efêmeras. Enquanto isso as redes globais de intercambio instrumentais conectam e desconectam indivíduos, grupos, regiões e ate paises de acordo com sua pertinência na realização dos objetivos processados na rede, em um fluxo continuo de decisões estratégicas. Nossas sociedades estão cada vez mais estruturadas em uma oposição bipolar entre a rede e o ser.
A tecnologia deve ser levada a serio utilizada como ponto de partida desta investigação:precisamos localizar o processo de transformação tecnológica revolucionaria no contexto social em que ele ocorre e pelo qual esta sendo moldado, e devemos nos lembrar de a busca da identidade e tão poderosa quanto a transformação econômica e tecnológica no registro da nova historia.

Tecnologia, sociedade e transformação histórica
A tecnologia não determina a sociedade.Nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica, uma vez que muitos fatores, inclusive criatividade e iniciativa empreendedora, intervem no processo de descoberta cientifica, inovação tecnológica e aplicações sociais, de forma que o resultado final depende de um complexo padrão interativo. Na verdade, o dilema do determinismo e, provavelmente, m problema infundado, dado que a tecnologia é a sociedade, e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas.
Logo que se propagaram e foram apropriadas por diferentes paises, varias culturas, organizações diversas e diferentes objetivos, as novas tecnologias da informação explodiram em todos os tipos de aplicações e usos que, por sua vez, produziram inovação tecnológica, acelerando a velocidade e ampliando o escopo das transformações tecnológicas.
Entretanto, embora não determine a tecnologia, a sociedade pode sufocar seu desenvolvimento principalmente por intermédio do Estado. Ou então também, principalmente pela intervenção estatal, a sociedade pode entrar num processo acelerado de modernização tecnológica capaz de mudar o destino das economias, do poder militar e do bem-estar social em poucos anos. Sem duvida, a habilidade ou inabilidade de as sociedades dominarem a tecnologia e, em especial, aquelas tecnologias que são estrategicamente decisivas em cada período histórico, traça seu destino a ponto de podermos dizer que, embora não determine a evolução histórica e a transformação social, a tecnologia (ou sua falta) incorpora a capacidade de transformação das sociedades, bem como os usos que as sociedade, sempre em um processo conflituoso, decidem dar ao seu potencial tecnológico.Sob influencia estatal, o Japão tornou-se grande participante internacional nas industrias de tecnologia da informação, no ultimo quartel do século xx. É pertinente para as idéias aqui apresentadas, destacar que isso ocorreu ao mesmo tempo em que uma superpotência industrial e cientifica, a União Soviética, fracassou nessa importante transição tecnológica. O desenvolvimento tecnológico japonês desde a década de 1960 não ocorreu em um vácuo histórico, mas estava enraizado numa tradição de décadas de excelência em engenharia.Mas o que interessa para o objetivo desta analise é enfatizar os resultados totalmente diferentes obtidos pela intervenção estatal (e por sua falta) nos casos da China e da URSS em comparação ao Japão tanto no período Meiji como no período pos segunda guerra mundial. As características do estado japonês nas raízes dos processos de modernização e de desenvolvimento são bastante conhecidas. Tanto no caso da Ishin Meiji, quanto do estado desenvolvimentista contemporâneo, e alem disso sua apresentação nos afastaria muito do enfoque destas reflexões preliminares. O Que deve ser guardado para o entendimento da relação entre a tecnologia e a sociedade é que o papel do Estado seja interrompendo, seja promovendo, seja liderando a inovação tecnológica, é um fator decisivo no processo geral, à medida que expressa e organiza as forcas sociais dominantes em um espaço e uma época determinados. Em grande parte, a tecnologia expressa a habilidade de uma sociedade para impulsionar seu domínio tecnológico por intermédio das instruções sociais, inclusive o Estado. O processo histórico em que esse desenvolvimento de forcas produtivas ocorrem assinala as características da tecnologia e seus entrelaçamentos com as relações sociais.
Não é diferente no caso da revolução tecnológica atual. Ela originou-se e difundiu-se não por acaso, em um período histórico da reestruturação global do capitalismo, para o qual foi uma ferramenta básica. Portanto, a nova sociedade emergente desse processo de transformação é capitalista e também informacional, embora apresente variação histórica considerável nos diferentes paises, conforme sua historia, cultura, instituições e relação especifica com o capitalismo global e a tecnologia informacional.

Informacionalismo, industrialismo, estatismo: modos de desenvolvimento e modos de produção

A revolução da tecnologia da informação foi essencial para a implementação de um importante processo de reestruturação do sistema capitalista a partir da década de 1980.O sistema alternativo de organização social presente em nosso período histórico, o estatismo também tentou redefinir os meios de consecução de
seus objetivos estruturais embora preservasse a essência desses objetivos: ou seja, o espírito da reestruturação (ou Perestroika, na Rússia). Contudo a tentativa do estatismo soviético fracassou a ponto de haver o colapso de todo o sistema, em grande parte, por razão da incapacidade de do estatismo para assimilar e usar os princípios do informacionalismo embutidos na nova tecnologia da informação. Aparentemente o estatismo chinês foi bem sucedido ao transformar-se numcapitalismo liderado pelo Estado e ao integrar-se nas redes econômicas globais, aproximando-se mais do modelo estatal desenvolvimentista do capitalismo do Leste Asiático que do socialismo com característica chinesas da ideologia oficial.Entretanto, é muito provável que o processo de transformação estrutural da China passara por importantes conflitos políticos e mudanças institucionais nos próximos anos. O colapso do estatismo (com raras exceções, por exemplo, Vietnã, Coréia do Norte, Cuba que, no entanto, estão em processo de conexão com o capitalismo global) estabeleceu uma relação estreita entre o novo sistema capitalista global, moldado por sua perestroyka relativamente bem-sucedida, e a emergência do informacionalismo como a nova base material, tecnológica, da atividade econômica e da organização social.
A perspectiva teórica que fundamenta essa abordagem postula que as sociedades são organizadas em processos estruturados por relações historicamente determinadas de produção, experiência e poder. Produção é a ação da humanidade sobre a matéria(natureza) para apropriar-se dela e transforma-la em seu beneficio, obtendo um produto, consumindo(de forma irregular) parte dele e acumulando o excedente para investimento conforme os vários objetivos socialmente determinados. Experiência é a ação dos sujeitos humanos sobre si mesmos, determinada pela interação entre as identidades biológicas e culturais desses sujeitos em relação a seus ambientes sociais e naturais. É construída pela eterna busca de satisfação das necessidades e desejos humanos. Poder é aquela relação entre os sujeitos humanos que com basena produção e na experiência, impõe a vontade de alguns sobre os outros pelo emprego potencial ou real de violência física ou simbólica. As instituições sociais são constituídas para impor o cumprimento das relações de poder existentes em cada período histórico, inclusive os controles, limites e contratos sociais conseguidos nas lutas pelo poder.
A comunicação simbólica entre os seres humanos e o relacionamento entre esses e a natureza com base na produção(e seu complemento,o consumo), experiência e poder, cristalizam-se ao longo da historia em territórios específicos, e assim geram culturas e identidades coletivas.
A produção é um processo social porque cada um de seus elementos é diferenciado internamente. Assim a humanidade como produtora coletiva inclui tanto o trabalho como os organizadores da produção, e o trabalho é muito diferenciado e estratificado de acordo com o papel de cada trabalhador no processo produtivo.
Apesar de serem organizadas em paradigmas oriundos das esferas dominantes das sociedades(por exemplo o processo produtivo, o complexo industrial militar), a tecnologia e as relações técnicas de produção difundem-se por todo o conjunto de relações e estruturas sociais, penetrando no poder e na experiência e modificando-os.Dessa forma, os modos de desenvolvimentos modelam toda a esfera de comportamento social, inclusive a comunicação simbólica.Como informacionalismo baseia-se na tecnologia de conhecimentos e informação , há uma intima ligação entre cultura e forcas produtivas e entre espírito e matéria, no modo de desenvolvimento informacional.Portanto devemos esperar o surgimento de novas formas históricas de interação, controle e transformação social

O informacionalismo e a perestroyka capitalista
Passando de categorias teóricas para a transformação histórica, o que importa de fato aos processos e formas sociais que compõem a carne viva das sociedades é a interação real entre os modos de produção e os de desenvolvimento estabelecidos e defendidos pelos atores sociais, de formas imprevisíveis na infra-estrutura repressora da historia passada e nas condições atuais de desenvolvimento tecnológico e econômico. Assim, o mundo e as sociedades teriam sido muito diferentes se Gorbachov tivesse conseguido sucesso com sua própria perestroyka, meta política difícil, mas não impossível. Ou se a região do pacifico asiatico não tivesse sido capaz de unir sua forma tradicional de organização econômica em redes de empresas as ferramentas da tecnologia da informação. Entretanto o fator histórico mais decisivo para a aceleração, encaminhamento e formação do paradigma da tecnologia da informação para a introdução de suas conseqüentes formas sociais foi /é o processo de reestruturação capitalista empreendido desde os anos 80, de modo que o novo sistema econômico e tecnológico pode ser adequadamente caracterizado como capitalismo informacional.
Embora a reestruturação do capitalismo e a difusão do informacionalismo fossem processos inseparáveis em escala global, as sociedades agiram/reagiram a esses processos de forma diferentes, conforme a especificidade de seu historia, cultura e instituições.Conseqüentemente, ate certo ponto, seria impróprio referir-se a uma “Sociedade informacional,”o que implicara a homogeneidade das formas sociais em todos os lugares sob o novo sistema.
Portanto, todas as sociedades são afetadas pelo capitalismo e informacionalismo e muitas delas (certamente todas as sociedades importantes) já são informacionais, embora de tipos diferentes, em diferentes cenários e com expressões culturais/institucionais especificas. Uma teoria da sociedade informacional, diferente de uma economia global/informacional, devera esta sempre tão atenta a especificidade histórica/cultural quanto as semelhanças estruturais referentes a um paradigma econômico e tecnológico amplamente compartilhado.
O ser na sociedade informacional
As novas tecnologias da informação estão integrando o mundo em redes globais de instrumentalidade. A comunicação medida por computadores gera uma gama enorme de comunidades virtuais. Mas a tendência social e política característica da década de 1990 era a construção da ação social e das políticas em torno de identidades primarias- ou atribuídas,enraizada na historia e geografia, ou recém - construídas em uma busca ansiosa por significado e espiritualidade.Os primeiros passos históricos informacionais parecem caracteriza-la pela preeminência da identidade como seu próprio organizacional. Por identidade, entendo o processo pelo o qual o ator social se reconhece e constrói significado principalmente com base em determinado atributo cultural ou conjunto de atributos, a ponto de excluir uma referencia mais ampla a outras estruturas sociais. Afirmação de identidade não significa necessariamente incapacidade de relacionar-se com outras identidades(por exemplo, as mulheres ainda se relacionam com os homens), ou abarcar toda a sociedade sob essa identidade (por exemplo,o fundamentalismo religioso aspira converter todo mundo).Mas as relações sociais são definidas vis-a-vis as outras, com base nos atributos culturais que especificam a identidade.
A mudança histórica das tecnologias mecânicas para as tecnologias da informação ajuda a subverter as noções de soberania e auto- suficiência que serviam de ancora ideológica à identidade individual desde que os filósofos gregos elaboraram o conceito ha mais de dois milênios. Em resumo, a tecnologia esta ajudando a desfazer a visão do mundo por ela promovida no passado
Elementos de uma estrutura interpretativa para explicar o poder crescente da identidade também deve ser encontrados num nível mais amplo, relacionados aos macroprocessos de transformação institucional que estão ligados em grande medida, ao surgimento de um novo sistema global
O surgimento do fundamentalismo religioso também parece estar ligado tanto a uma tendência global como a uma crise institucional.Segundo a experiência histórica, sempre existiram idéias e crenças de todos os tipos à espera para eclodirem no momento certo.É significativo que o fundamentalismo quer islâmico quer cristão, tenha se difundido (e continuara a expandir-se) por todo o mundo no momento histórico em que as redes globais de riqueza e de poder conectam pontos nodais e valorizam os indivíduos em todo o planeta embora desconectem e excluam grandes segmentos das sociedades regiões e ate paises inteiros.

O PROBLEMA - DURKHEIM

A divisão do trabalho foi só no fim do século passado que as sociedades começaram a tomar consciência dessa lei, que, ate então, suportam quase sem saber. Foi Adam Smith o primeiro a tentar teorizá-la.
Não foi só no interior das fabricas, as ocupações são separadas e especializadas ad infinitum, como cada manufatura é, ela mesma, uma especialidade que supõem outras. A agricultura seria exceção à regra e viam nela o último asilo da pequena propriedade. Os economistas que escrutam suas causas e apreciam seus resultados, longe de condená-la e combatê-la, proclamam sua necessidade. Nela vêem a lei superior das sociedades humanas e a condição do progresso.
As funções políticas, administrativas, judiciárias especializam-se cada vez mais. O mesmo ocorre com as funções artísticas e científicas. Seu objeto, seu método, seu espírito.
Não apenas o cientista já não cultiva simultaneamente ciências diferentes, como sequer abarca o conjunto de uma ciência inteira. O circulo de suas pesquisas se restringe a uma ordem determinada de problemas, ou mesmo a um problema único. Ao mesmo tempo, a função cientifica que, outrora, quase sempre era acumulada com alguma outra mais lucrativa, como a de medico, padre, magistrado, militar, tornar-se cada vez mais suficiente por si mesma.
As recentes especulações da Filosofia biológica acabaram de nos mostrar, na divisão do trabalho, um fato de uma tal generalidade que os economistas, que foram os primeiros a mencioná-lo não haviam podido suspeitar. A lei da divisão do trabalho se aplica tanto aos organismos como ás sociedades: pode-se inclusive dizer que um organismo ocupa uma posição tanto mais elevada na escala animal quanto mais as suas funções forem especializadas. Estender imensamente o campo de ação da divisão do trabalho e recuar suas origens até um passado infinitamente remoto, pois ela se torna quase contemporânea do advento da vida no mundo. Fonte na inteligência e na vontade dos homens, mais um fenômeno de biologia geral, cujas condições, ao que parece, precisam ser buscadas nas propriedades essenciais da matéria organizada. A divisão do trabalho social passa a aparecer apenas como uma forma particular, e as sociedades conformando-se a essa lei parecem ceder a uma corrente que nasceu bem antes delas e que arrasta no mesmo sentido todo o mundo vivo.
Não podem, produzir se sem afetar nossa constituição moral, pois o desenvolvimento do homem se fará em dois sentidos de todo diferentes, conforme nos entreguemos a esse movimento ou resistamos a ele. Será nosso dever procurar tornar-nos um ser acabado e completo, um todo auto-suficiente, ou não ser mais que a parte de um todo, o órgão de um organismo? Regra moral de conduta humana? E se tem esse caráter por quais motivos e em que medida? Ela é e se torna cada vez mais uma das bases fundamentais da ordem social.
Esses problemas foram colocados com freqüência pela consciência moral das nações, mas de maneira confusa e sem conseguir resolver nada. Parece que a opinião se inclina cada vez mais no sentido de tornar a divisão do trabalho uma regra imperativa de conduta, a impô-la como um dever. Sabendo interessar-se por tudo sem se dedicar exclusivamente a nada. Desconfiamos desses talentos, que se recusa a escolher um papel especial e a ele se ater. Parece-nos que esse estado de distanciamento e de indeterminação tem algo de anti-social. Vemos, antes, a perfeição no homem competente que procura não ser completo, mas produzir, que tem uma tarefa delimitada e que a ela se dedica que faz serviços, traça seu caminho. “aperfeiçoar-se. É aprender seu papel, é tornar-se capaz de cumprir sua função... na soma dos serviços prestados e em nossa capacidade de prestarmos outro mais” simples e de impessoal que era, vai se diversificando cada vez mais.
Numa palavra, por um de seus aspectos, o imperativo categórico da consciência moral está tomando a seguinte forma: colocs-te em condições de cumprir proveitosamente uma função determinada. Ao mesmo tempo em que manda os homens se especializarem, sempre parece temer que os especializem demais.
Para por fim a essa indecisão, não recorremos ao método ordinário dos moralistas, que, quando querem determinar o valor moral de um preceito, começam por colocar uma formula geral da moralidade, a fim de, em seguida, confrontar com ela a máxima contestada. Desde o inicio do estudo, a antes de qualquer observação dos fatos, elas não têm por objeto explicá-los, mas enunciar o principio abstrato de uma legislação ideal a ser instituída integralmente. Mas exprimem apenas a maneira como o moralista representa a moral. Elas não deixam de ser instrutivas, porque nos informam sobre as tendências morais que estão se manifestando no momento considerado. Mas tem apenas o interesse de um fato, não de uma visão científica.
Portanto, não se poderá referir-se a elas como critérios objetivos que permitam apreciar a moralidade das práticas. A única maneira de chegar a apreciar de maneira objetiva a divisão do trabalho é estudá-la primeiro em si mesma, de uma maneira totalmente especulativa, investigar a que ela serve e de que depende- numa palavra, formar a seus respeitos a noção mais adequada possível.
Procuramos saber qual a função da divisão do trabalho. As causas e as condições de que dependem. Procuraremos classificar as principais formas anormais que ela apresenta, a fim de evitar que sejam confundidas com as outras.
Sempre se raciocinou como se estas fossem evidentes, como ser, para conhecer a natureza, o papel, as causas da divisão do trabalho, bastasse analisar a noção que cada um de nós tem dela. Esse método não comporta conclusões cientificas; por isso, desde Adam, a teoria da divisão do trabalho só se fez poucos progressos. Para saber o que é objetivamente a divisão do trabalho, não basta desenvolver o conteúdo da idéia que dela temos, mas é preciso tratá-la como um fato objetivo, observar, comparar, e veremos que o resultado dessas observações muitas vezes difere daquele que o sentido intimo nos sugere.


Bibliografia
DURKHEIM, Emile, 1858-1917 Da Divisão do Trabalho Social
Resumo da Pag. 1 até 9 Introdução.

DA SOCIEDADE PÓS-INDUSTRIAL À PÓS-MODERNA

Novas teorias sobre o mundo contemporâneo
Introdução: O Renascimento da Teoria Pós-Industrial

Rótulos, como boatos, podem adquirir vida própria. Uma vez suficientemente enraizados, podem pautar a realidade, ou, pelo menos, a realidade acadêmica. Podem criar todo um ambiente de indagação crítica que, sobretudo nestes dias de espírito empreendedor acadêmico e projetos multinacionais eruditos, alimenta-se de si mesmo.
“A continuidade mais evidente em relação á teoria pós industrial anterior é vista na interpretação da sociedade moderna como a ‘sociedade de informação”, Daniel Bell, mais uma vez, foi seu expositor mais eminente. Sua tese sobre a sociedade pós-industrial já isolara a “conhecimento teórico” como aspecto mais importante da sociedade do futuro.. A nova sociedade é hoje definida, erudita por seus novos métodos de acessar, processar e distribuir informação, Bell está tão confiante agora, como em sua análise anterior, que essa situação equivale a uma transformação revolucionaria da sociedade moderna.
O conceito de sociedade de informação ajusta-se bem á tradição liberal progressiva, do pensamento ocidental. Mantém a fé do iluminismo na racionalidade e no progresso. Na medida em que o conhecimento e seu acumulo são equipados á maior eficiência e maior liberdade, essa opinião, a despeito de seus pronunciamentos favoráveis a uma mudança radical na organização social, dá progressivamente a linha de pensamento indicada por Saint-Simom, Comte e os positivistas.
Mais inesperadas é a visão da nova sociedade que emergiu entre as correntes de esquerda do espectro ideológico. Os marxistas foram alguns dos denunciantes mais vigorosos da idéia pós industrial inicial, que consideravam ser a mais clara demonstração da fase final da ideologia burguesa. Então, alguns deles formularam sua própria versão da teoria pós industrial, que tem sido manifestada comumente sob a bandeira o pós fordismo. Como a maioria dos marxistas, eles, de modo geral, ainda se apegam a algum conceito do desenvolvimento capitalista como motor de mudança. Mas se sentem tão abalados com as diferenças entre as velhas e as novas formas do capitalismo que se consideram obrigados a falar de nossa época como novos tempos, como a era do segundo divisor de águas industrial. Para muitos deles, Marx, como teórico supremo do capitalismo, continua a ser um pensador importante. As mudanças na sociedade nesta última parte do sec. Xx, no entanto, são considerados tão significativos, e constituem um rompimento tão radical com os padrões e práticas capitalistas anteriores que é claro para esses autores que terão de ser feitas revisões profundas na teoria marxista para que ela permaneça útil
A terceira corrente da teoria pós-industrial tem origem menos conhecida. Trata-se da teoria da sociedade pós-moderna. O pós-modernismo é a mais abrangente das teorias recentes. Acolhe em seu generoso abraço todas as formas de mudanças cultural, política e econômica.

Bibliografia
KUMAR,Krishan, Da Sociedade Pós-moderna; novas teorias sobre o mundo contemporâneo- Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1997.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

INVESTIGAÇÃO SOBRE A NATUREZA E AS CAUSAS DA RIQUEZA DAS NAÇÕES

Sobre a divisão do trabalho
O desenvolvimento da produtividade do trabalho, e o aumento do engenho, destreza e discernimento ao qual está ligado, parece ter sido provocado pela divisão do trabalho. Nas fábricas rudimentares destinadas a prover às necessidades de um pequeno número de pessoas, a quantidade de trabalhadores é necessariamente muito diminuta e todos os que são empregados em cada um dos ramos de produção podem trabalhar num mesmo edifício e podem ser colocados à vista do observador. Nas grandes fábricas destinadas a abastecer as necessidades de um maior número de trabalhadores tão elevado que é impossível mantê-los a trabalhar numa única instalação. O observador poderá raramente ver, mais do que os empregados de um só ramo.
Um aumento proporcional da produtividade, a separação entre os diferentes ramos industriais e as tarefas necessárias em cada um deles parece ter surgido como conseqüência deste processo.
Aquilo que constitui o trabalho de um único homem num estado primitivo da sociedade passa a ser efetuado por diversos homens numa sociedade mais evoluída. O trabalho indispensável para fabricar completamente qualquer produto está quase sempre dividido por um grande número de operários.
A impossibilidade de realizar uma completa separação dos diferentes ramos de trabalho usados na agricultura é talvez a causa de o aumento da sua produtividade não ser tão grande como é na indústria.
O aumento de produção é proporcional à maior quantidade de trabalho e capital investidos.
O aumento de produção que, devido à divisão do trabalho, o mesmo número de pessoas é capaz de realizar, é resultante de três circunstâncias diferentes: ao aumento da destreza de cada trabalhador; à economia de tempo, que antes era perdido ao passar de uma operação para outra; à invenção de um grande número de máquinas que facilitam o trabalho e reduzem o tempo indispensável para o realizar, permitindo a um só homem fazer o trabalho de muitos.
O desenvolvimento da destreza dos trabalhadores aumenta a quantidade de trabalho que eles podem realizar; e a divisão do mesmo, aumenta também a destreza dos trabalhadores.
A vantagem que decorre do melhor aproveitamento do tempo que normalmente se perderia ao passar de um tipo de trabalho para o outro é muito maior do que à primeira vista se poderia imaginar. Qualquer pessoa se dispersa um pouco ao passar de uma tarefa para outra. Quando inicia o novo trabalho é pouco hábil e vigoroso; até se habituar à nova tarefa, desperdiça o tempo em vez de o aplicar corretamente. A falta de atenção e a indolência no trabalho, que são natural ou adquirida por qualquer trabalhador rural obrigado a mudar de tarefa e de ferramentas de meia em meia hora, e aplicar o seu trabalho manual de vinte maneiras diferentes em quase todos os dias da sua vida, tornam-no preguiçoso e incapaz de uma vigorosa aplicação ao trabalho. Esta causa, reduz consideravelmente a quantidade de trabalho que ele é capaz de realizar.
O trabalho é facilitado e reduzido quando se usa uma maquinaria adaptada à tarefa que se realiza. Como conseqüência da divisão do trabalho, a atenção dos trabalhadores tende naturalmente a dirigir-se para um único objetivo. Encontrar métodos fáceis e simples de realizá-la, desde que a natureza desta admita esta simplificação. Uma grande parte das máquinas utilizadas nas fábricas em que o trabalho está muito subdividido foram originalmente inventadas pelos próprios trabalhadores, máquinas bastante interessantes com o objetivo de facilitar e tornar mais rápidas as suas tarefas .
Muitas modificações foram realizadas pelo engenho dos fabricantes de máquinas, ao transformarem a produção destas numa forma particular de negócio; e algumas outras pelos chamados filósofos ou homens de especulação filosófica, cuja atividade consiste não em fazer, mas sim em observar tudo o que os rodeia. A Filosofia ou a especulação filosófica torna-se a principal ou única ocupação de um tipo particular de cidadãos, está também subdividido num grande número de tarefas particulares, cada uma das quais é atribuída a um grupo ou classe particular de filósofos; e esta subdivisão do trabalho na filosofia, aumenta a destreza destes homens e permite economizar tempo. Cada indivíduo torna-se mais sabedor na sua tarefa particular, produzindo maior quantidade de trabalho, e as ciências e as artes são assim consideravelmente aperfeiçoadas e aumentadas.
É a grande multiplicação das produções das diferentes atividades humanas, originada pela divisão do trabalho, que cria, numa sociedade bem governada, a possibilidade de estender o bem estar até às camadas mais baixas do povo. Cada trabalhador fornece às outras pessoas aquilo de que elas necessitam e estas pagam-lhe do mesmo modo. Difunde-se assim em todas as camadas da sociedade uma abundância geral.

Sobre o princípio que deu origem à divisão do trabalho
Esta divisão do trabalho foi a conseqüência necessária, lenta e gradual, de uma determinada tendência da natureza humana que tem como objetivo uma utilidade menos extensiva: a tendência para negociar e trocar uma coisa por outra.
Quando um animal pretende obter qualquer coisa de um homem ou de um outro animal, tenta, como único meio possível de persuasão, ganhar os favores daquele de cujos serviços necessitam. O homem também usa por vezes as mesmas artimanhas com os seus semelhantes, e, quando não possui qualquer outro meio de levá-los a agirem de acordo com os seus anseios, tenta com servilismo obter os seus favores.
O homem necessita sempre da ajuda dos seus semelhantes e não pode esperar que estes lha dêem por mera bondade. Ser-lhe-á mais fácil consegui-la se puder explorar a seu favor o amor próprio dos outros e lhes puder demonstrar que têm vantagem em fazer por ele aquilo que lhes é pedido. É isto que acontece quando uma pessoa propõe a outra qualquer negócio. Dê-me o que quero, e terá aquilo que deseja. No seu próprio interesse compra, pela troca, por um acordo.
O contrato, a compra ou a troca nos permitem obter uns dos outros a maior parte dos serviços recíprocos de que necessitamos; foi ainda essa propensão para a troca que originalmente provocou a divisão do trabalho.
É, portanto, a certeza de poder trocar o excedente da sua produção, depois de satisfeita as suas necessidades, pelo excedente da produção dos outros homens que leva cada homem a dedicar-se a uma única tarefa e a desenvolver e aperfeiçoar qualquer talento ou habilidade que possua para um dado tipo de atividade.
A diferença entre as capacidades naturais dos diversos homens é, na realidade, muito menor do que aquilo que podemos pensar; e a grande disparidade entre os diversos talentos que parecem distinguir os homens das diversas profissões quando chegam à maturidade é normalmente muito menos uma causa do que um efeito da divisão do trabalho. Os hábitos e a educação que explicam a diferença existente entre os caracteres mais díspares entre um filósofo e um carregador.
Se não existisse em cada homem a tendência para a troca e para a compra, este ver-se-ia obrigado a produzir todas as coisas necessárias e úteis para a sua vida. Todos teriam os mesmos deveres e realizariam o mesmo trabalho; nessas condições, nunca poderia existir a enorme diferença de ocupações que, por si só, dá origem à diversidade das aptidões.
Entre os homens, mesmo os talentos mais díspares são úteis uns aos outros, isto porque os diferentes produtos das suas respectivas aptidões, devidos à tendência geral para trocar e comprar, passam a fazer parte de uma mesma reserva à qual todos os homens podem ir buscar tudo aquilo de que necessitam.

Bibliografia
SMITH, Adam. Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações. David Ricardo; traduções de Conceição Jardim Maria do Carmo Cary, Eduardo Lúcio Nogueira, Rolf Kuntz. – 2. ed. – São Paulo: Abril Cultural, 1979.

DA SOCIEDADE PÓS-INDUSTRIAL À PÓS-MODERNA

A Sociedade de Informação
O Computador e o Advento da Informação
A sociedade sofre uma transformação com o advento da informação.
A partir da década de 40, progressos revolucionários foram feitos a favor da Tecnologia da Informação, que tem como marco o desenvolvimento do computador. Como quase todas as tecnologias, também o computador surgiu das necessidades da guerra, ou seja, os primeiros circuitos de computadores eram usados com fins militares, financiados pelos Estados Unidos.
O EUA propiciou tanto o motivo como a oportunidade do desenvolvimento da TI, e com isso tanto a tecnologia da informação, como as empresas norte americanas se sobressaem, pois assim como a comunicação, a TI é fator essencial para abrangência mundial das empresas.

A Terceira Revolução Industrial
Segundo Vannegut, a primeira revolução industrial – as máquinas – desvalorizou o trabalho muscular (manual), a segunda desvalorizou o trabalho de rotina e a terceira, o trabalho mental, que então é substituído pelo computador, fator que se inclui na revolução da informação.
O computador não foi, portanto, o início das manifestações da Tecnologia, elas começam com o telégrafo, o telefone, o gramofone, cinema, rádio e televisão. O computador é o ponto culminante por ser capaz de manipular e transformar informação, substituindo o trabalho realizado pelo cérebro do homem.
Segundo Bell, o que fortaleceu a sociedade da informação foi o casamento entre a telecomunicação e o computador. A combinação de satélites, televisão, fibra óptica e microcomputadores levam conhecimento e informação a qualquer parte do mundo com precisão e em tempo real.
“A terceira onda, portanto, inicia uma nova era – a era da mídia desmassificada. Uma nova esfera de informação está imergindo ao lado da nova esfera técnica”. (Toffer 1981)
Bell tem o cuidado de fornecer base estatística à estrutura da sociedade da informação. O conhecimento não só determina a inovação técnica e o crescimento econômico, mas está se tornando rapidamente a atividade chave da economia e a principal determinante da mudança ocupacional.
“Hoje produzimos informação em massa, da mesma maneira que produzimos carro em massa... Esse conhecimento é a força propulsora da economia...”
A sociedade de informação gera mudanças no nível mais fundamental da sociedade. Inicia um novo modo de produção. Muda a própria fonte da criação de riqueza e os fatores determinantes da produção.
O trabalho e o capital são substituídos pela informação e pelo conhecimento. Utilizando um esquema evolutivo em três níveis, baseando na passagem da atividade “extrativa pré-industrial” para a de “industrial-fabricação” e desta para a “pós-industrial-informação”, faz-se uma refinada e sistemática comparação entre os três tipos de sociedade. As três são vistas como modo de produção, equivalentes, mas distintos, analisáveis, segundo os mesmos princípios de estrutura e função.

O Velho e o Novo: O Trabalho na Sociedade de Informação
Segundo Morris-Suzuki o conceito de sociedade de informação foi uma arma ideológica forjada como resposta à crise industrial de fins da década de 1960 no Japão, insiste, ainda assim, que as atividades de informação tornaram-se de importância decisiva na atual fase do capitalismo. O capitalismo monopolista, diz ela, é hoje em alto grau, “capitalismo de informação”, “a apropriação privada do conhecimento social”. Com o aumento da automação, a extração da mais-valia (lucro) depende agora da “economia da inovação perpétua”, cujo recurso fundamental é o conhecimento. (apud Kumar, 1997, p.31)
Segundo Littler quando Taylor pregou que “todo serviço intelectual possível deve ser retirado da oficina e centralizado no departamento de planejamento e projeto”, ele inclui explicitamente tanto o trabalho intelectual dos empregados mais humildes quanto o de gerentes. O conhecimento – a qualificação e capacidade de julgamento de todos os trabalhadores, quaisquer que fossem seus níveis – devia ser identificado em todas as partes da empresa e concentrado somente no departamento de planejamento. (apud Kumar,1997, p.31)

O Trabalhador do Conhecimento
Segundo os teóricos da sociedade de informação o conhecimento influencia o trabalho de duas maneiras:
1º - aumento do conteúdo de conhecimentos do trabalho existente, a tecnologia adiciona mais do que retira da qualificação dos trabalhadores.
2º - criação e expansão de novos tipos de trabalho no setor do conhecimento de modo que trabalhadores em informação serão predominantes na economia.
O impacto da tecnologia da informação sobre o emprego foi uma das questões mais fervorosamente discutidas na década de 1980. A nova tecnologia aumentaria o número de empregos ou acabaria com eles? E onde os efeitos seriam mais sentidos?
Verificou-se que a tecnologia da informação substituiu alguns trabalhadores, mas criou também novos cargos em novas áreas.
O principal problema na avaliação do impacto da tecnologia da informação sobre o emprego é que nos encontramos ainda em uma das primeiras fases do processo. É possível argumentar que a nova tecnologia, pelo menos, a longo prazo, gerará ou poderá gerar outras das tempestades de destruição criativa que, segundo Joseph Schumpeter, periodicamente renovam o capitalismo.
Há ainda um terceiro e mais radical ponto de vista, que combina “pessimismo” com otimismo, isto é, aceita que a tecnologia da informação reduzirá drasticamente o nível de empregos, mas entendendo não tanto como ameaça, e sim como uma oportunidade de redirecionar tempo e energia para atividades mais gratificantes, fora da economia formal do trabalho remunerado.
A quantidade de empregos criados ou extintos pelas aplicações da tecnologia da informação não é, contudo a principal preocupação dos teóricos da sociedade de informação, mas a qualidade da nova força de trabalho. Esperam o surgimento de uma nova classe de serviço de trabalhadores do ramo do conhecimento, homens e mulheres cujo trabalho se caracterizará por altos níveis de perícia técnica e conhecimento teórico, que correspondentemente, exigem longos períodos de educação e treinamento.
Se a força de trabalho está aumentando em perícia e em autonomia, na medida em que o Taylorismo continua a ser o princípio dominante, a tecnologia da informação possui maior potencial, de proletarizar do que de profissionalizar o trabalhador. Além disso, a grande variedade e heterogeneidade dos trabalhadores no setor de informação tornam muito duvidosa qualquer alegação geral de aumento de perícia e de conhecimentos.
Mais problemática para a teoria da sociedade de informação é a expectativa de crescimento e expansão ininterruptos da classe de trabalhadores no ramo do conhecimento. Nas duas últimas décadas ocorreu um forte declínio no crescimento do número de empregados de nível superior em serviços humanos e o crescimento dos trabalhadores em informação em geral.
A maior parte do crescimento do número de empregos nas duas últimas décadas, na verdade, ocorreu em uma esfera muito diferente: não no setor do conhecimento, mas nos níveis mais baixos da economia terciária, onde o grau de habilidades e conhecimentos não é alto.

Políticas e Mercados
Na economia da informação vigora uma política e uma economia política diferentes na sociedade de informação. Os trabalhadores do ramo no setor público, declinaram em número, enquanto que subiram os que prestam serviços ao setor privado, especialmente em serviços a empresas.
Os governos assumiram papel liderante na promoção e disseminação da idéia de uma sociedade de informação – incluindo iniciativas vigorosas para estimular uma “cultura do computador” nas escolas e universidades.
Os governos não estão dispostos a renunciar ao papel de coordenação e direção no desenvolvimento da tecnologia da informação. Na França, a indústria da TI está quase por completo nas mãos do Estado e, no Japão, o monopólio estatal de comunicações é “a pedra fundamental da estratégia de TI do país”. Na conexão militar podemos observar com mais clareza o elo entre o governo e sociedade de informação. Desde a década de 40 a década de 1980, as necessidades militares continuam a ser, em quase todos os países, o motor principal do crescimento das indústrias de TI. A P&D militar é responsável por 40% dos gastos mundiais totais em pesquisa e absorve as atividades de 40% de todos os cientistas e engenheiros de pesquisa do mundo. Nos sistemas de mísseis e de espionagem, nos últimos 20 anos, grande parte desses imensos gastos militares em P&D seja dedicada a trabalhos sobre TI.
Nos Estados Unidos, mais da metade da P&D financiada pelo governo destina-se a fins militares. O mesmo acontece na Grã-Bretanha. “O maior cliente isolado da indústria eletrônica do Reino Unido é o Ministério da Defesa”, que compra mais de 20% do produto total da indústria.
Esse espaço social é forçosamente ocupado em maior parte por grandes empresas multinacionais privadas, que também sentem necessidade urgente do desenvolvimento mais amplo possível da TI. O crescimento na escala e complexidade das empresas e o extravasamento de suas fronteiras nacionais tornaram necessário um grau de coordenação e comunicação que tem sido em si uma força poderosa na expansão da TI.
Todas essas empresas têm por objetivo se tornarem empresas “integradas de informação”. A meta consiste em explorar as economias de escala e dependência mútua, de modo a poder oferecer um pacote completo de TI: computadores, telecomunicações, bens etc. A maior parte da TI foi desenvolvida até agora para uso do Estado ou do cliente empresarial. Nesse campo ocorrem a maior expansão e os maiores lucros. O lar, o lazer e o entretenimento, já são alvos firmementes delimitados. Do ponto de vista da tecnologia da informação, distinções entre escritório e lar, entre trabalho e ócio são, em grande parte, secundárias. Na verdade, a TI trabalha para torná-las irrelevantes.
Divisões, antes consagradas, entre atividades “secundárias” e “terciárias” tornam-se cada vez mais irreais. A indústria eletrônica, o cerne da revolução da TI, integra agora atividades de manufatura e serviços de uma forma tão completa que é impossível distinguir onde uma termina e a outra começa. Robôs, projetos e fabricação auxiliados por computador estimulam os fabricantes a ingressar também no campo da TI.
Empresas de petróleo sentem uma necessidade de incorporar um volume substancial de atividades de TI.
O fato da RCA, em meio a toda essa reestruturação, ter sido adquirida por outro gigante do ramo, a General Electric, é apenas um símbolo da interpenetração total de todas as esferas de atividade da TI. A tecnologia da informação evidentemente é um grande negócio. Em fins deste século, faz parte do próprio núcleo do capital empresarial, que é tanto sua instigadora número um como principal usuária. Herbert Schiller argumenta:
As novas tecnologias da informação foram desenvolvidas em, pelas e para as economias capitalistas avançadas – a dos Estados Unidos, em particular. É de esperar-se, por conseguinte, que elas estejam sendo agora usadas obstinadamente para servir a objetivos de mercado. O controle da força de trabalho, o aumento da produtividade, a conquista de mercados mundiais e a acumulação ininterrupta de capital são as influencias dinâmicas sob as quais ocorre o desenvolvimento das novas tecnologias da informação.
O caráter capitalista de grande parte da atividade da TI deu origem a um questionamento geral de toda a base teórica da idéia de uma sociedade de informação.
A sociedade de informação é um mito criado para servir aos interesses dos que iniciaram e administram a “revolução da informação”: “os setores mais poderosos da sociedade, suas elites administrativas centralizadas, o sistema militar e as empresas industriais globais”. Ela é apenas a ideologia mais nova do Estado capitalista. “O capitalismo continua a ser o nome do jogo”. “Se há uma revolução, então ela certamente ocorre em torno do centro do capitalismo”. “O industrialismo capitalista não foi transcendido, mas apenas ampliado, aprofundado e aperfeiçoado”.
Bell, Masuda, Stonier e outros descrevem a sociedade de informação como um desenvolvimento progressista e repleto de promessas. É uma sociedade projetada, como as antigas, por e para uns poucos: as ricas e poderosas classes, nações e regiões do mundo. Seus objetivos e efeitos são rigorosamente definidos pelos objetivos tradicionais das elites políticas e econômicas: definidos pelos objetivos tradicionais das elites políticas e econômicas: expandir o poder do Estado, tanto contra seus próprios cidadãos quanto contra outras nações, e aumentar a produtividade e os lucros das empresas capitalistas, sobretudo através da criação de um mercado global integrado.

Ideologia e Sociedade de Informação
O principal argumento da crítica da sociedade de informação é que o desenvolvimento e difusão da TI não implantaram nenhum princípio ou direção fundamentalmente novos na sociedade. É reconhecida a notável velocidade da difusão da TI, como também sua potencialidade de produzir mudanças radicais nos costumes sociais. A tecnologia, porém, está sendo aplicada em uma estrutura política e econômica que confirma e reforçam padrões existentes, ao invés de gerar outros. O conhecimento e a informação, que antes figuravam entre os recursos mais públicos e mais disponíveis na sociedade, tomaram-se agora privatizados, foram transformados em mercadorias, expropriados para venda e lucro. Os instrumentos e as técnicas podem mudar, mas os objetos e finalidades supremos das sociedades industriais capitalistas permanecem os mesmos. Uma das críticas mais amplas chegou a ponto de interpretar toda a sociedade de informação como sendo simplesmente a expressão mais recente de uma antiga tradição de pensamentos e prática, que denominam de taylorismo social.Não foi apenas uma doutrina de administração de fabrica, mas uma nova filosofia social, um novo principio de revolução social, e uma vez imaginaria instituição sociedade.
O taylorismo tornou-se o centro de uma ideologia tecnocrática, que não parou na fabrica ou no escritório, mas espalhou-se por todo o mundo..
Todo desenvolvimento do estado e da sociedade neste século pode, por conseguinte, ser considerado como aplicação dos princípios da administração cientifica. A informação, o conhecimento e a ciência, incluindo a ciência social, são os requisitos fundamentais desse processo. Proporcionam os meios necessários para coordenar e controlar as operações cada vez mais complexas da economia e da política. Foram o expoentes da administração cientifica, em seu sentido mais amplo, os que desencadearam a revolução da informação. A sociedade de informação não evoluiu de maneira neutra, isenta de juízo a de valor. A TI, como todas as tecnologias, foi escolhida e moldada de conformidade com certos e determinados interesses sociais e políticos. A maior parte dessa tecnologia, porém, é complexa e cara. Exige investimento maciço de capital e grandes equipes de pesquisadores. Só os interesses mais poderosos na sociedade, governos e grandes empresas privadas dispõem dos recursos necessários para promovê-la.
Ideologias são práticas concretas, tão reais como quaisquer outras práticas sociais. São realidades vividas. Limitam-nos o pensamento sobre nós mesmos e o mundo em que vivemos e, dessa maneira, revestem-se de conseqüências práticas. A sociedade de informação talvez contemporânea, mas, para muitas pessoas no mundo industrial, ela é hoje uma parte inescapável da realidade. Descrever essa situação como falsa consciência de classe implica compreender mal o argumento.

Bibliografia
KUMAR, Krishan. Da Sociedade Pós- Industrial à Pós-Moderna. Rio de Janeiro, Jorge Zahar,1997.

sábado, 8 de novembro de 2008

Apresentação

Este blog foi criado pelo grupo de alunos do curso de Pedagogia da Fae/CBH, Adriana Silva, Aparecida, Gisele, Marilene e Neide, com a finalidade de interrelacionar os conteúdos vistos na disciplina "Educação e Tecnologia: Sociedade da Informação e do Conhecimento", orientado pelo Professor Tadeu para o NF II.