quinta-feira, 27 de novembro de 2008

INVESTIGAÇÃO SOBRE A NATUREZA E AS CAUSAS DA RIQUEZA DAS NAÇÕES

Sobre a divisão do trabalho
O desenvolvimento da produtividade do trabalho, e o aumento do engenho, destreza e discernimento ao qual está ligado, parece ter sido provocado pela divisão do trabalho. Nas fábricas rudimentares destinadas a prover às necessidades de um pequeno número de pessoas, a quantidade de trabalhadores é necessariamente muito diminuta e todos os que são empregados em cada um dos ramos de produção podem trabalhar num mesmo edifício e podem ser colocados à vista do observador. Nas grandes fábricas destinadas a abastecer as necessidades de um maior número de trabalhadores tão elevado que é impossível mantê-los a trabalhar numa única instalação. O observador poderá raramente ver, mais do que os empregados de um só ramo.
Um aumento proporcional da produtividade, a separação entre os diferentes ramos industriais e as tarefas necessárias em cada um deles parece ter surgido como conseqüência deste processo.
Aquilo que constitui o trabalho de um único homem num estado primitivo da sociedade passa a ser efetuado por diversos homens numa sociedade mais evoluída. O trabalho indispensável para fabricar completamente qualquer produto está quase sempre dividido por um grande número de operários.
A impossibilidade de realizar uma completa separação dos diferentes ramos de trabalho usados na agricultura é talvez a causa de o aumento da sua produtividade não ser tão grande como é na indústria.
O aumento de produção é proporcional à maior quantidade de trabalho e capital investidos.
O aumento de produção que, devido à divisão do trabalho, o mesmo número de pessoas é capaz de realizar, é resultante de três circunstâncias diferentes: ao aumento da destreza de cada trabalhador; à economia de tempo, que antes era perdido ao passar de uma operação para outra; à invenção de um grande número de máquinas que facilitam o trabalho e reduzem o tempo indispensável para o realizar, permitindo a um só homem fazer o trabalho de muitos.
O desenvolvimento da destreza dos trabalhadores aumenta a quantidade de trabalho que eles podem realizar; e a divisão do mesmo, aumenta também a destreza dos trabalhadores.
A vantagem que decorre do melhor aproveitamento do tempo que normalmente se perderia ao passar de um tipo de trabalho para o outro é muito maior do que à primeira vista se poderia imaginar. Qualquer pessoa se dispersa um pouco ao passar de uma tarefa para outra. Quando inicia o novo trabalho é pouco hábil e vigoroso; até se habituar à nova tarefa, desperdiça o tempo em vez de o aplicar corretamente. A falta de atenção e a indolência no trabalho, que são natural ou adquirida por qualquer trabalhador rural obrigado a mudar de tarefa e de ferramentas de meia em meia hora, e aplicar o seu trabalho manual de vinte maneiras diferentes em quase todos os dias da sua vida, tornam-no preguiçoso e incapaz de uma vigorosa aplicação ao trabalho. Esta causa, reduz consideravelmente a quantidade de trabalho que ele é capaz de realizar.
O trabalho é facilitado e reduzido quando se usa uma maquinaria adaptada à tarefa que se realiza. Como conseqüência da divisão do trabalho, a atenção dos trabalhadores tende naturalmente a dirigir-se para um único objetivo. Encontrar métodos fáceis e simples de realizá-la, desde que a natureza desta admita esta simplificação. Uma grande parte das máquinas utilizadas nas fábricas em que o trabalho está muito subdividido foram originalmente inventadas pelos próprios trabalhadores, máquinas bastante interessantes com o objetivo de facilitar e tornar mais rápidas as suas tarefas .
Muitas modificações foram realizadas pelo engenho dos fabricantes de máquinas, ao transformarem a produção destas numa forma particular de negócio; e algumas outras pelos chamados filósofos ou homens de especulação filosófica, cuja atividade consiste não em fazer, mas sim em observar tudo o que os rodeia. A Filosofia ou a especulação filosófica torna-se a principal ou única ocupação de um tipo particular de cidadãos, está também subdividido num grande número de tarefas particulares, cada uma das quais é atribuída a um grupo ou classe particular de filósofos; e esta subdivisão do trabalho na filosofia, aumenta a destreza destes homens e permite economizar tempo. Cada indivíduo torna-se mais sabedor na sua tarefa particular, produzindo maior quantidade de trabalho, e as ciências e as artes são assim consideravelmente aperfeiçoadas e aumentadas.
É a grande multiplicação das produções das diferentes atividades humanas, originada pela divisão do trabalho, que cria, numa sociedade bem governada, a possibilidade de estender o bem estar até às camadas mais baixas do povo. Cada trabalhador fornece às outras pessoas aquilo de que elas necessitam e estas pagam-lhe do mesmo modo. Difunde-se assim em todas as camadas da sociedade uma abundância geral.

Sobre o princípio que deu origem à divisão do trabalho
Esta divisão do trabalho foi a conseqüência necessária, lenta e gradual, de uma determinada tendência da natureza humana que tem como objetivo uma utilidade menos extensiva: a tendência para negociar e trocar uma coisa por outra.
Quando um animal pretende obter qualquer coisa de um homem ou de um outro animal, tenta, como único meio possível de persuasão, ganhar os favores daquele de cujos serviços necessitam. O homem também usa por vezes as mesmas artimanhas com os seus semelhantes, e, quando não possui qualquer outro meio de levá-los a agirem de acordo com os seus anseios, tenta com servilismo obter os seus favores.
O homem necessita sempre da ajuda dos seus semelhantes e não pode esperar que estes lha dêem por mera bondade. Ser-lhe-á mais fácil consegui-la se puder explorar a seu favor o amor próprio dos outros e lhes puder demonstrar que têm vantagem em fazer por ele aquilo que lhes é pedido. É isto que acontece quando uma pessoa propõe a outra qualquer negócio. Dê-me o que quero, e terá aquilo que deseja. No seu próprio interesse compra, pela troca, por um acordo.
O contrato, a compra ou a troca nos permitem obter uns dos outros a maior parte dos serviços recíprocos de que necessitamos; foi ainda essa propensão para a troca que originalmente provocou a divisão do trabalho.
É, portanto, a certeza de poder trocar o excedente da sua produção, depois de satisfeita as suas necessidades, pelo excedente da produção dos outros homens que leva cada homem a dedicar-se a uma única tarefa e a desenvolver e aperfeiçoar qualquer talento ou habilidade que possua para um dado tipo de atividade.
A diferença entre as capacidades naturais dos diversos homens é, na realidade, muito menor do que aquilo que podemos pensar; e a grande disparidade entre os diversos talentos que parecem distinguir os homens das diversas profissões quando chegam à maturidade é normalmente muito menos uma causa do que um efeito da divisão do trabalho. Os hábitos e a educação que explicam a diferença existente entre os caracteres mais díspares entre um filósofo e um carregador.
Se não existisse em cada homem a tendência para a troca e para a compra, este ver-se-ia obrigado a produzir todas as coisas necessárias e úteis para a sua vida. Todos teriam os mesmos deveres e realizariam o mesmo trabalho; nessas condições, nunca poderia existir a enorme diferença de ocupações que, por si só, dá origem à diversidade das aptidões.
Entre os homens, mesmo os talentos mais díspares são úteis uns aos outros, isto porque os diferentes produtos das suas respectivas aptidões, devidos à tendência geral para trocar e comprar, passam a fazer parte de uma mesma reserva à qual todos os homens podem ir buscar tudo aquilo de que necessitam.

Bibliografia
SMITH, Adam. Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações. David Ricardo; traduções de Conceição Jardim Maria do Carmo Cary, Eduardo Lúcio Nogueira, Rolf Kuntz. – 2. ed. – São Paulo: Abril Cultural, 1979.

DA SOCIEDADE PÓS-INDUSTRIAL À PÓS-MODERNA

A Sociedade de Informação
O Computador e o Advento da Informação
A sociedade sofre uma transformação com o advento da informação.
A partir da década de 40, progressos revolucionários foram feitos a favor da Tecnologia da Informação, que tem como marco o desenvolvimento do computador. Como quase todas as tecnologias, também o computador surgiu das necessidades da guerra, ou seja, os primeiros circuitos de computadores eram usados com fins militares, financiados pelos Estados Unidos.
O EUA propiciou tanto o motivo como a oportunidade do desenvolvimento da TI, e com isso tanto a tecnologia da informação, como as empresas norte americanas se sobressaem, pois assim como a comunicação, a TI é fator essencial para abrangência mundial das empresas.

A Terceira Revolução Industrial
Segundo Vannegut, a primeira revolução industrial – as máquinas – desvalorizou o trabalho muscular (manual), a segunda desvalorizou o trabalho de rotina e a terceira, o trabalho mental, que então é substituído pelo computador, fator que se inclui na revolução da informação.
O computador não foi, portanto, o início das manifestações da Tecnologia, elas começam com o telégrafo, o telefone, o gramofone, cinema, rádio e televisão. O computador é o ponto culminante por ser capaz de manipular e transformar informação, substituindo o trabalho realizado pelo cérebro do homem.
Segundo Bell, o que fortaleceu a sociedade da informação foi o casamento entre a telecomunicação e o computador. A combinação de satélites, televisão, fibra óptica e microcomputadores levam conhecimento e informação a qualquer parte do mundo com precisão e em tempo real.
“A terceira onda, portanto, inicia uma nova era – a era da mídia desmassificada. Uma nova esfera de informação está imergindo ao lado da nova esfera técnica”. (Toffer 1981)
Bell tem o cuidado de fornecer base estatística à estrutura da sociedade da informação. O conhecimento não só determina a inovação técnica e o crescimento econômico, mas está se tornando rapidamente a atividade chave da economia e a principal determinante da mudança ocupacional.
“Hoje produzimos informação em massa, da mesma maneira que produzimos carro em massa... Esse conhecimento é a força propulsora da economia...”
A sociedade de informação gera mudanças no nível mais fundamental da sociedade. Inicia um novo modo de produção. Muda a própria fonte da criação de riqueza e os fatores determinantes da produção.
O trabalho e o capital são substituídos pela informação e pelo conhecimento. Utilizando um esquema evolutivo em três níveis, baseando na passagem da atividade “extrativa pré-industrial” para a de “industrial-fabricação” e desta para a “pós-industrial-informação”, faz-se uma refinada e sistemática comparação entre os três tipos de sociedade. As três são vistas como modo de produção, equivalentes, mas distintos, analisáveis, segundo os mesmos princípios de estrutura e função.

O Velho e o Novo: O Trabalho na Sociedade de Informação
Segundo Morris-Suzuki o conceito de sociedade de informação foi uma arma ideológica forjada como resposta à crise industrial de fins da década de 1960 no Japão, insiste, ainda assim, que as atividades de informação tornaram-se de importância decisiva na atual fase do capitalismo. O capitalismo monopolista, diz ela, é hoje em alto grau, “capitalismo de informação”, “a apropriação privada do conhecimento social”. Com o aumento da automação, a extração da mais-valia (lucro) depende agora da “economia da inovação perpétua”, cujo recurso fundamental é o conhecimento. (apud Kumar, 1997, p.31)
Segundo Littler quando Taylor pregou que “todo serviço intelectual possível deve ser retirado da oficina e centralizado no departamento de planejamento e projeto”, ele inclui explicitamente tanto o trabalho intelectual dos empregados mais humildes quanto o de gerentes. O conhecimento – a qualificação e capacidade de julgamento de todos os trabalhadores, quaisquer que fossem seus níveis – devia ser identificado em todas as partes da empresa e concentrado somente no departamento de planejamento. (apud Kumar,1997, p.31)

O Trabalhador do Conhecimento
Segundo os teóricos da sociedade de informação o conhecimento influencia o trabalho de duas maneiras:
1º - aumento do conteúdo de conhecimentos do trabalho existente, a tecnologia adiciona mais do que retira da qualificação dos trabalhadores.
2º - criação e expansão de novos tipos de trabalho no setor do conhecimento de modo que trabalhadores em informação serão predominantes na economia.
O impacto da tecnologia da informação sobre o emprego foi uma das questões mais fervorosamente discutidas na década de 1980. A nova tecnologia aumentaria o número de empregos ou acabaria com eles? E onde os efeitos seriam mais sentidos?
Verificou-se que a tecnologia da informação substituiu alguns trabalhadores, mas criou também novos cargos em novas áreas.
O principal problema na avaliação do impacto da tecnologia da informação sobre o emprego é que nos encontramos ainda em uma das primeiras fases do processo. É possível argumentar que a nova tecnologia, pelo menos, a longo prazo, gerará ou poderá gerar outras das tempestades de destruição criativa que, segundo Joseph Schumpeter, periodicamente renovam o capitalismo.
Há ainda um terceiro e mais radical ponto de vista, que combina “pessimismo” com otimismo, isto é, aceita que a tecnologia da informação reduzirá drasticamente o nível de empregos, mas entendendo não tanto como ameaça, e sim como uma oportunidade de redirecionar tempo e energia para atividades mais gratificantes, fora da economia formal do trabalho remunerado.
A quantidade de empregos criados ou extintos pelas aplicações da tecnologia da informação não é, contudo a principal preocupação dos teóricos da sociedade de informação, mas a qualidade da nova força de trabalho. Esperam o surgimento de uma nova classe de serviço de trabalhadores do ramo do conhecimento, homens e mulheres cujo trabalho se caracterizará por altos níveis de perícia técnica e conhecimento teórico, que correspondentemente, exigem longos períodos de educação e treinamento.
Se a força de trabalho está aumentando em perícia e em autonomia, na medida em que o Taylorismo continua a ser o princípio dominante, a tecnologia da informação possui maior potencial, de proletarizar do que de profissionalizar o trabalhador. Além disso, a grande variedade e heterogeneidade dos trabalhadores no setor de informação tornam muito duvidosa qualquer alegação geral de aumento de perícia e de conhecimentos.
Mais problemática para a teoria da sociedade de informação é a expectativa de crescimento e expansão ininterruptos da classe de trabalhadores no ramo do conhecimento. Nas duas últimas décadas ocorreu um forte declínio no crescimento do número de empregados de nível superior em serviços humanos e o crescimento dos trabalhadores em informação em geral.
A maior parte do crescimento do número de empregos nas duas últimas décadas, na verdade, ocorreu em uma esfera muito diferente: não no setor do conhecimento, mas nos níveis mais baixos da economia terciária, onde o grau de habilidades e conhecimentos não é alto.

Políticas e Mercados
Na economia da informação vigora uma política e uma economia política diferentes na sociedade de informação. Os trabalhadores do ramo no setor público, declinaram em número, enquanto que subiram os que prestam serviços ao setor privado, especialmente em serviços a empresas.
Os governos assumiram papel liderante na promoção e disseminação da idéia de uma sociedade de informação – incluindo iniciativas vigorosas para estimular uma “cultura do computador” nas escolas e universidades.
Os governos não estão dispostos a renunciar ao papel de coordenação e direção no desenvolvimento da tecnologia da informação. Na França, a indústria da TI está quase por completo nas mãos do Estado e, no Japão, o monopólio estatal de comunicações é “a pedra fundamental da estratégia de TI do país”. Na conexão militar podemos observar com mais clareza o elo entre o governo e sociedade de informação. Desde a década de 40 a década de 1980, as necessidades militares continuam a ser, em quase todos os países, o motor principal do crescimento das indústrias de TI. A P&D militar é responsável por 40% dos gastos mundiais totais em pesquisa e absorve as atividades de 40% de todos os cientistas e engenheiros de pesquisa do mundo. Nos sistemas de mísseis e de espionagem, nos últimos 20 anos, grande parte desses imensos gastos militares em P&D seja dedicada a trabalhos sobre TI.
Nos Estados Unidos, mais da metade da P&D financiada pelo governo destina-se a fins militares. O mesmo acontece na Grã-Bretanha. “O maior cliente isolado da indústria eletrônica do Reino Unido é o Ministério da Defesa”, que compra mais de 20% do produto total da indústria.
Esse espaço social é forçosamente ocupado em maior parte por grandes empresas multinacionais privadas, que também sentem necessidade urgente do desenvolvimento mais amplo possível da TI. O crescimento na escala e complexidade das empresas e o extravasamento de suas fronteiras nacionais tornaram necessário um grau de coordenação e comunicação que tem sido em si uma força poderosa na expansão da TI.
Todas essas empresas têm por objetivo se tornarem empresas “integradas de informação”. A meta consiste em explorar as economias de escala e dependência mútua, de modo a poder oferecer um pacote completo de TI: computadores, telecomunicações, bens etc. A maior parte da TI foi desenvolvida até agora para uso do Estado ou do cliente empresarial. Nesse campo ocorrem a maior expansão e os maiores lucros. O lar, o lazer e o entretenimento, já são alvos firmementes delimitados. Do ponto de vista da tecnologia da informação, distinções entre escritório e lar, entre trabalho e ócio são, em grande parte, secundárias. Na verdade, a TI trabalha para torná-las irrelevantes.
Divisões, antes consagradas, entre atividades “secundárias” e “terciárias” tornam-se cada vez mais irreais. A indústria eletrônica, o cerne da revolução da TI, integra agora atividades de manufatura e serviços de uma forma tão completa que é impossível distinguir onde uma termina e a outra começa. Robôs, projetos e fabricação auxiliados por computador estimulam os fabricantes a ingressar também no campo da TI.
Empresas de petróleo sentem uma necessidade de incorporar um volume substancial de atividades de TI.
O fato da RCA, em meio a toda essa reestruturação, ter sido adquirida por outro gigante do ramo, a General Electric, é apenas um símbolo da interpenetração total de todas as esferas de atividade da TI. A tecnologia da informação evidentemente é um grande negócio. Em fins deste século, faz parte do próprio núcleo do capital empresarial, que é tanto sua instigadora número um como principal usuária. Herbert Schiller argumenta:
As novas tecnologias da informação foram desenvolvidas em, pelas e para as economias capitalistas avançadas – a dos Estados Unidos, em particular. É de esperar-se, por conseguinte, que elas estejam sendo agora usadas obstinadamente para servir a objetivos de mercado. O controle da força de trabalho, o aumento da produtividade, a conquista de mercados mundiais e a acumulação ininterrupta de capital são as influencias dinâmicas sob as quais ocorre o desenvolvimento das novas tecnologias da informação.
O caráter capitalista de grande parte da atividade da TI deu origem a um questionamento geral de toda a base teórica da idéia de uma sociedade de informação.
A sociedade de informação é um mito criado para servir aos interesses dos que iniciaram e administram a “revolução da informação”: “os setores mais poderosos da sociedade, suas elites administrativas centralizadas, o sistema militar e as empresas industriais globais”. Ela é apenas a ideologia mais nova do Estado capitalista. “O capitalismo continua a ser o nome do jogo”. “Se há uma revolução, então ela certamente ocorre em torno do centro do capitalismo”. “O industrialismo capitalista não foi transcendido, mas apenas ampliado, aprofundado e aperfeiçoado”.
Bell, Masuda, Stonier e outros descrevem a sociedade de informação como um desenvolvimento progressista e repleto de promessas. É uma sociedade projetada, como as antigas, por e para uns poucos: as ricas e poderosas classes, nações e regiões do mundo. Seus objetivos e efeitos são rigorosamente definidos pelos objetivos tradicionais das elites políticas e econômicas: definidos pelos objetivos tradicionais das elites políticas e econômicas: expandir o poder do Estado, tanto contra seus próprios cidadãos quanto contra outras nações, e aumentar a produtividade e os lucros das empresas capitalistas, sobretudo através da criação de um mercado global integrado.

Ideologia e Sociedade de Informação
O principal argumento da crítica da sociedade de informação é que o desenvolvimento e difusão da TI não implantaram nenhum princípio ou direção fundamentalmente novos na sociedade. É reconhecida a notável velocidade da difusão da TI, como também sua potencialidade de produzir mudanças radicais nos costumes sociais. A tecnologia, porém, está sendo aplicada em uma estrutura política e econômica que confirma e reforçam padrões existentes, ao invés de gerar outros. O conhecimento e a informação, que antes figuravam entre os recursos mais públicos e mais disponíveis na sociedade, tomaram-se agora privatizados, foram transformados em mercadorias, expropriados para venda e lucro. Os instrumentos e as técnicas podem mudar, mas os objetos e finalidades supremos das sociedades industriais capitalistas permanecem os mesmos. Uma das críticas mais amplas chegou a ponto de interpretar toda a sociedade de informação como sendo simplesmente a expressão mais recente de uma antiga tradição de pensamentos e prática, que denominam de taylorismo social.Não foi apenas uma doutrina de administração de fabrica, mas uma nova filosofia social, um novo principio de revolução social, e uma vez imaginaria instituição sociedade.
O taylorismo tornou-se o centro de uma ideologia tecnocrática, que não parou na fabrica ou no escritório, mas espalhou-se por todo o mundo..
Todo desenvolvimento do estado e da sociedade neste século pode, por conseguinte, ser considerado como aplicação dos princípios da administração cientifica. A informação, o conhecimento e a ciência, incluindo a ciência social, são os requisitos fundamentais desse processo. Proporcionam os meios necessários para coordenar e controlar as operações cada vez mais complexas da economia e da política. Foram o expoentes da administração cientifica, em seu sentido mais amplo, os que desencadearam a revolução da informação. A sociedade de informação não evoluiu de maneira neutra, isenta de juízo a de valor. A TI, como todas as tecnologias, foi escolhida e moldada de conformidade com certos e determinados interesses sociais e políticos. A maior parte dessa tecnologia, porém, é complexa e cara. Exige investimento maciço de capital e grandes equipes de pesquisadores. Só os interesses mais poderosos na sociedade, governos e grandes empresas privadas dispõem dos recursos necessários para promovê-la.
Ideologias são práticas concretas, tão reais como quaisquer outras práticas sociais. São realidades vividas. Limitam-nos o pensamento sobre nós mesmos e o mundo em que vivemos e, dessa maneira, revestem-se de conseqüências práticas. A sociedade de informação talvez contemporânea, mas, para muitas pessoas no mundo industrial, ela é hoje uma parte inescapável da realidade. Descrever essa situação como falsa consciência de classe implica compreender mal o argumento.

Bibliografia
KUMAR, Krishan. Da Sociedade Pós- Industrial à Pós-Moderna. Rio de Janeiro, Jorge Zahar,1997.

sábado, 8 de novembro de 2008

Apresentação

Este blog foi criado pelo grupo de alunos do curso de Pedagogia da Fae/CBH, Adriana Silva, Aparecida, Gisele, Marilene e Neide, com a finalidade de interrelacionar os conteúdos vistos na disciplina "Educação e Tecnologia: Sociedade da Informação e do Conhecimento", orientado pelo Professor Tadeu para o NF II.